Quando escrever nos traduz e traz a lucidez necessária, para enfrentar o que eu chamo viver!
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
domingo, 25 de agosto de 2013
Eu e meu
All Star.
Descobri hoje que sou conservadora.
Levei um susto sem tamanho, nunca tinha me percebido tão
tradicional, tão ligada as coisas do passado, tão arredia ao novo e
as modernidades, mas não se assustem, vou explicar o porque.
Fui
a uma loja de calçado comprar um all star novo, destes simples,
preto com cadarços brancos igual ao que levo sempre aos pés e qual
foi minha surpresa, olhei o novo na vitrine e ele me olhou como se a
dizer, posso te levar para todos os lugares, me observe bem, tenho
pequenas florzinhas desenhadas num glitter que é a última moda,
tenho três pares de cadarços um de cada cor, sou xadrez por dentro
( e alguém olha os tênis por dentro?), sou confortável, sou o xodó
desta vitrine!!
Achei ele exibido e bobo, daí baixei o olhar e vi meus all star
velhinhos, com a forma torta de meus pés, com lugares para acomodar
os meus joanetes e calos, adquiridos em anos dedicados a dança, como
aluna e professora, com seus cadarços encardidos dos banhos de
chuva, aqueles temporais de verão que nos pegam no meio tarde
caminhando a esmo e que nos fazem sentir a liberdade de sua rapidez e
a beleza da sua força e meu tênis indagou:
“-
Vais me trocar? Queres este chatinho pretensioso da vitrine?
Esqueceu nossas conquistas, as corridas em meio a pressa pelos
corredores da faculdade, perdendo os livros e os trabalhos e eu
saltando por cima para não pisoteá-los?
Esqueceu os beijos no parque, onde sentavas no chão e eu ficava
jogado um sobre o outro, balançando teus pés de alegria?
Esqueceu o dia em que estavas no show de rock e encontrou o amor de
tua vida e eu te ajudei a conquistá-lo, pois te levei tantas vezes
ao encontro dele e tantas vezes caminhamos juntos, tu feliz de mãos
dadas, eu feliz por te ver assim, esqueceu?
E
se me jogares fora, quem vai cuidar de mim?
Quem vai fazer um remendo de E.V.A nos furos em meu solado e depois
por uma meia grossa pra não machucar, como tu fez dia destes?
Quem vai guardar os teus segredos?
Quem sabe todos os passos de dança?
Quem canta a tua trilha sonora?
Quem tomou banho de cerveja quando bebestes um pouquinho a mais?
Quem dormiu borrado de batom quando me tirastes dos pés e me
fizestes de travesseiro?
Quem tem tinta de todos as cores e texturas respingadas dos teus
quadros?
Quem ficou abandonado num canto do quarto quando te apaixonastes por
aquele enorme salto alto vermelho, esnobe e que tu logo abandonou
para voltar pra mim?
Fui eu! Sou eu! Teu sempre amado all star!
Mas segue em frente, compra este metido e me substitui!”
Parei, olhei para os lados, tinha receio que alguém houvesse
escutado meus pensamentos, sorri para o moleque da vitrine, dei
tchauzinho e voltei para casa com meu companheiro de tantas batalhas,
de tantas alegrias, de tanta vida.
Outro dia vou voltar na loja, vou comprar o xaropinho, pois nossa
amizade já nasceu, mas vou dar uma aposentadoria pro meu “Estrela”
a mais digna que conheço, vou transformá-lo em vaso, vou o
transformar em parte do meu jardim, com flores coloridas e
perfumadas, deixá-lo que se desmanche na natureza, como merece um
amigo que me ajudou a ser livre e me levou a conhecer o mundo ou
simplesmente ficou em silêncio quando eu só queria chorar, um amigo
que esperou pacientemente que eu descesse da cama do hospital e
voltasse pra casa e para os sonhos que inventamos juntos. by Amanda Nirag
sábado, 3 de agosto de 2013
Condenação ou Fuga?
Condenei-me viver presa
Reclusa dentro de mim
E não fiques assim
surpresa
Se um dia qualquer eu
fugir
Pois eu que sei minhas
penas
Quantos pecados há pra
excluir
Não sei se pago tudo
dobrado
Ou se me deixo agora
partir
Livre das correntes de
aço
Que prendem meu coração
Livre dos nós e dos
laços
Pronta pra outra
paixão.
by Mara
Garin (Poesia e Desenhos para Crianças)
Voo Livre
Voo Livre
Atirei o poema pela janela
Pronto, escrito e reescrito na noite
Joguei sem medo ou culpa
Voando, rumo ao nascer do sol
Fiquei observando a leveza
Nem parece carregar todas as dores
Minhas lágrimas e dissabores
O peso que me prende a ti.
By Amanda Nirag
Bang Literário.
Muito feliz com a seleção do meu poema "Alma e Coração" para a a Revista Bang literário III de Santa Maria - RS - Brasil.
Afinal ver um texto teu impresso em folhas de papel é o sonho de todo o escritor, e quero aqui agradecer Publicamente a amiga Jornalista Luciana Minuzzi que acreditou no meu talento e me incentivou a mandar o texto. Agora Amanda Nirag sai da minha Imaginação e começa habitar outras dimensões.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Coca-Cola com Mentos.
Escrever às vezes dói pouco, às vezes atravessa a alma como lança em chamas num campo de batalhas, hoje está sendo assim, uma revolução interna, uma análise de vazio.
Eu queria escrever um texto sobre bonecas de pano, sobre esta linda boneca da foto, que eu mesma fiz, uma boneca onde dediquei seis horas do meu tempo livre para confeccioná-la, mas que agora deixou de ser o motivo principal do meu texto, pois vou escrever sobre "gente-boneca-de-pano".
Tenho acompanhado os protestos pelo Brasil, num primeiro momento meu peito inflou de orgulho, meus jovens, meus alunos, meus filhos, todos na rua por um ideal, lutar por algo legítimo, seus direitos. Agora passeando pelas páginas das redes sociais, encontro meninas e meninos nas páginas dos eventos, perguntando com que roupas vão, qual o melhor figurino, cabelos presos ou soltos, camisetas pretas ou brancas, e pouquíssimos, se não raros, discutindo os motivos, os porquês, as causas e prevendo consequências, alguém chegou ao cúmulo de dizer: "sou geração Coca-Cola, mas agora com mentos, tô explosiva!", como se isso fosse a causa de se lutar.
Estou triste, sou de uma geração que nasceu no ano do golpe militar, 1964 ano da Legalidade, um ano que marcou o início de anos escuros, de gente que desaparecia e que não se entendia muito bem o que aconteceu, eu morava na capital dos gaúchos e Porto Alegre fervia, aprendemos a ver na polícia não segurança, mas medo, brincávamos na frente das casas até anoitecer sem precisarmos nos preocupar com nada, mas basta avistar uma viatura, seja da polícia civil, brigada militar ou exército, que corríamos para dentro de nossas casas, porque nos foi ensinado a temer, as pessoas que foram levadas naqueles carros não voltaram, na nossa ingenuidade de crianças não entendíamos, mas temíamos sim.
Naquele tempo desfilávamos o sete de setembro, cabelos bem arrumados, luvas brancas para levar a bandeira, pelotões de acrobacias, muito verde e amarelo, eu também não entendia, mas achava lindo o nacionalismo, hoje eu o acho um tanto quanto perigoso.
Lembro da minha mãe chorando pela madrugada, meu pai estava demorando, ele tinha uma reunião com uns amigos, hoje eu sei ele ajudou a fundar um partido político contra a ditadura, o único partido aceito e que fez frente branda contra o governo por vinte anos, mas fez!
Agora vejo jovens perdidos indo de um lado para o outro, sem saber muito bem para onde ir, querem direitos mas não sabem quais, querem lutar mas não sabem porque, vejo jovens querendo tirar do poder quem eles elegeram e apoiando a quem eram contrários, tenho medo disso.
O povo na rua é lindo, incêndios e depredação não!
E me martela na cabeça um questionamento, a quem interessa tirar esta geração das páginas das redes sociais e jogá-las na rua sem orientação, sem conhecimento, sem discernimento, sem um pouquinho de visão política ou histórica??
Hoje tenho irmãos que trabalham dentro dos carros que me davam medo, e aprendi que eles são tão povo quanto eu, e também trabalham sob ordens, dos mesmos políticos que nós elegemos.
Ontem eu fui para a rua junto com meus filhos, nós sabíamos porque estávamos lá, queremos fim a corrupção, mas não o fim da democracia.
Neste momento tenho medo que bonecas de pano sejam manipuladas e o que seria um movimento legítimo, vire apenas "Coca-Cola com Mentos".
Hoje apenas tenho medo, pois o céu está muito escuro e ameaça a chover, não tive tempo ainda de terminar a minha boneca.
Suzi uma Senhora de 43 anos!
Esta é a boneca que consegui
encontrar hoje, a minha companheira da infância, a rebelde dos cabelos
cor de cenouras...Precisa de um banho, roupas novas e muito carinho,
pois sabe segredos de mim que nem eu lembrava mais...Foi pra ela que
confidenciei o primeiro olhar de carinho pelo coleguinha da outra
turma...Foi ela que enxugou minhas lágrimas quando tirei nota baixa pela
primeira vez... E foi nela que experimentei meu primeiro batom...Pra
ela escrevi os primeiros poemas...Mas bonecas precisam de quem brinque
com elas e hoje lembrei do tempo da ditadura, quando eu me escondia nos
porões da casa onde morava em Porto Alegre, sem entender porque gente
desaparecia...Hoje entendo eu nasci em 1964 e a Suzi nasceu em 1970!!
sexta-feira, 8 de março de 2013
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