quarta-feira, 27 de junho de 2012



Descobri que posso ser água

E escorrer entre teus dedos

Deslizando pelo peito

Perdendo-me nos teus pelos...

Descobri que posso ser água

Que mata a tua sede

Numa noite quente de verão

Sendo neste momento vital

A tua vida e coração.

Descobri que posso ser água

Que lava tuas impurezas

Te limpa  e santifica

Numa pia batismal...

Descobri que posso ser água

Límpida, pura e cristalina

Que parte em busca do mar

Ser oceano na imensidão

Que abriga todo o teu sonhar...

Descobri que posso ser água

Tempestade, cachoeira e remanso

Que tu podes me perder

Pois líquida escorro da tua mão

No infinito me lanço

Do teu endurecido coração...

Descobri que posso ser água

Então cuide de mim

Ou vou escapar líquida

Para na terra me perder

Entre as rosas do teu jardim....



Palavras ao beija-flor/ Aram Garin.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Era uma vez uma Rainha...Uma Bruxa...Uma Bella Feiticeira...
Ela tinha toda a alegria e os poderes da Terra, mas apesar disso não se sentia feliz, e andava cada vez mais melancólica e doente...
Um dia resolveu chamar o melhor cozinheiro do reino e solicitou que o mesmo preparasse uma omelete de amoras silvestres, igual a que ela havia comido a muito tempo atrás, preparada por um jovem cozinheiro, quando ela estava fugindo de seu reino, por medos, guerras e confrontos inevitáveis com os governantes corruptos dos reinos vizinhos, num tempo em que estava faminta de alegrias e esperanças, cheia de sonhos e expectativas, um tempo de dúvidas e segredos, de emoções e descobertas...
Na quele tempo a Rainha comeu a omelete e ficou maravilhada, tinha um sabor de manjar dos Deuses, revigorou a alma e trouxe brilho aos olhos, foi como se toda a desesperança sumisse.
Agora nestes tempos de melancolia, o cozinheiro deveria recriar o sabor que um jovem cozinheiro estranho havia feito, ou seria condenado a morte...
Neste momento o cozinheiro experiente disse que, a Rainha poderia chamar o carrasco e respondeu assim:
" Claro que sei todos os segredos das omeletes, sei onde colher as amoras silvestres mais maduras e suculentas, sei os temperos e as pitadas de magias com as quais preciso prepará-la, mas mesmo assim não terá o mesmo sabor, e sabes porque minha Rainha? Porque ela não terá o sabor picante do perigo, a emoção da fuga, não será comida com o sentido alerta de ser perseguida, não terá a doçura da hospitalidade calorosa e do ansiado repouso e por fim não terá o sabor do presente fugaz e do futuro incerto!"
Foi quando a Rainha deu-se conta que não foi a omelete que a fez feliz, foi sim a esperança que a acompanhou, e que aquele sabor devia fazer parte de suas lembranças, mas que nunca mais devia ser desejado ou recriado e que talvez devesse fechar os olhos e descobrir novos sabores...Omeletes de outras frutas e reconstruir o seu reino!
Neste momento agradeceu ao experiente cozinheiro e o mandou embora, cheio de presentes e uma bela aposentadoria, para que pudesse gozar do delicioso prazer de inventar novas receitas...
E a Rainha saiu em viagem, abandonou o seu reino e foi descobrir que nem só de sabores se pode curar as feridas, nem só de amores vive um coração, nem só de sonhos se escrevem os contos de fadas...Virou Bruxa, virou estrela, virou luz em busca de nova constelação!
E o jovem cozinheiro, bom, descobriu que o prazer de cozinhar para uma Rainha é indescritível, e mesmo que use todos os temperos, todas as magias, as melhores panelas...Nunca mais alguém irá provar sua omelete com tanta alegria e talvez nunca mais ele tenha o mesmo prazer em cozinhar, mas isso não interessa mais a Rainha, que deixou de ser Rainha e é feliz como viajante de mochila nas costas em busca de um Ogro e não quer mais saber de Gnomos e fantasias.
Um conto de fadas moderno.